A maioria das pessoas sente muito medo com a queda dos raios, medo esse, geralmente associado ao barulho do trovão e às crendices populares sobre o fenômeno, que invariavelmente é retratado em fimes e contos sobrenaturais.
       Bem, um fato é verdadeiro - os raios podem causar acidentes, danos materiais, ferimentos e até a morte em seres humanos e animais.
       Como habitamos um país "campeão mundial" de raios (descargas elétricas atmosféricas), com uma média superior a 1.000.000.000 de eventos anuais, não custa nada saber como se proteger corretamente!

TEMPESTADE COM RAIOS! O QUE FAZER?

  • Evite ficar perto de cercas de arame, grades, tubos metálicos, linha telefônicas e de energia elétrica, bem como de estruturas metálicas.
  • Fique longe de tratores, motocicletas e bicicletas; e se estiver no automóvel, fique dentro dele com as janelas fechadas.
  • Não fique em campos abertos, pastos, campos de futebol, lagos, descampados.
  • Proteja-se dentro de casas, automóveis, ou edificações que tenham Pára-Raios.
  • Jamais procure abrigo sob árvores, principalmente se elas estiverem isoladas ou em campo aberto.
  • Fuja do topo de morros e locais altos.
  • Se estiver na praia ou na piscina, saia imediatamente e procure um lugar seguro.
  • Estando em uma casa sem um bom sistema de Pára-Raios, evite ficar próximo de janelas metálicas, geladeiras, televisores e de uma maneira geral próximo de tomadas elétricas.
  • Deixe para tomar banho após a tempestade ter passado.
  • Evite usar o telefone convencional e o celular.
  • Não ligue aparelhos e motores elétricos.
  • Desligue da tomada os aparelhos eletrônicos como televisão, som e computador..

Como se deve proceder por ocasião de tempestades com raios

       Normalmente, a reação das pessoas por ocasião de tempestades com raios é de extremo medo. Isso se deve em grande parte ao enorme ruído do trovão, bem como das histórias fantasiosas que geralmente se escutam com respeito a catástrofes provocadas por raios. Na realidade, os prejuizos materiais bem como as fatalidades causadas por raios anualmente no Brasil são consideráveis. Porém, isso se deve em grande parte à ignorância, à má orientação e à inércia das pessoas em tomar providências simples e de custos reduzidos.
       Passada a tempestade, a reação normal é esquecer rapidamente algumas providências que poderiam ser tomadas para que os efeitos dos raios pudessem ser reduzidos. O propósito da presente "orientação", é de informar e tranquilizar as pessoas, visto que, com providências simples e atitudes pessoais corretas, os riscos resultantes dos raios poderão ser extremamente reduzidos.

  • Não fique ao ar livre durante tempestades, a menos que seja necessário. Procure abrigo dentro de prédios, veículos ou outras estruturas ou locais que oferecem proteção contra raios.
  • Procure abrigo nos seguintes locais que oferecem proteção : 1. Grandes edificações metálicas ou com fachadas metálicas; 2. Casas ou quaisquer prédios protegidos por Pára-Raios; 3. Grandes edificações ou prédios, mesmo sem proteção contra raios; 4. Automóveis e ônibus com corpo e teto metálicos; 5. Trens; 6. Trailers com corpo metálico; 7. Lanchas ou navios com corpo metálico; 8. Barcos mesmo abertos, porém protegidos com Pára-Raios (ou Sistema equivalente); 9. Ruas das cidades com bastante edificações.
  • Certos locais são extremamente perigosos durante tempestades, devendo ser evitados de qualquer maneira. Ao se pressentir a aproximação de tempestades com raios, deve-se agir logo para se afastar dos seguintes locais: 1. Tratores ou outras máquinas agrícolas* em campo aberto; 2. Motocicletas, bicicletas, carroças, etc.; 3. Barcos abertos sem mastros com proteção contra raios; 4. Campos abertos, pastos, etc.; 5. Campos de futebol e outros esportes ao ar livre; 6. Campos de golfe; 7. Piscinas, lagos, lagoas e praias; 8. Proximidades de cercas de arame farpado, varais, linhas de transmissão e trilhos de trem; 9. Árvores isoladas, postes e mastros; 10. Topo de elevações ou morros; 11. Cabanas cobertas com sapé, pequenos depósitos rurais contendo palhas secas e choupanas; 12. Montículos, como cupim; 13. Carrocerias abertas de caminhões.
    * No caso de tratores ou máquinas com cabines metálicas fechadas não há com que se preocupar.

  • Nem sempre é possível achar locais que ofereçam boa proteção contra os raios. Siga então as seguintes regras quanto à seleção de locais: 1. Procure florestas densas - evite árvores isoladas; 2. Procure regiões baixas - evite topo de morros ou locais altos; 3. Procure abrigo mesmo em casas ou cabanas em áreas baixas - evite o mesmo em locais altos e isolados; 4. Se houver possibilidade de opção, procure abrigo em encostas situadas no sentido oposto de onde chegam as nuvens carregadas.

  • Estando em casa ou apartamento (ou escritório) nas cidades não há com que se preocupar. Tranqüilize-se, lembre-se que o estampido de um trovão nas proximidades não provoca por si nenhuma consequência danosa. Procure permanecer nas salas de estar, salas de jantar, quartos (ou escritórios) e continue seus afazeres com tranqüilidade. Seria conveniente, entretanto, evitar* locais contendo chaminés, lareiras, aparelhos elétricos diversos, canalizações (de água, gás, conduites), tubulações de ar condicionado e outras massas metálicas. Isso se encontra com mais freqüência em banheiros, cozinhas e lavanderias. Se possível, não use o telefone durante as tempestades com raios.
    * Em edifícios providos com Pára-Raios tecnicamente bem instalados, essa precaução é dispensável.

                        PROTEÇÃO PARA O GADO E OUTROS ANIMAIS
  •      O gado, por permanecer em pastos e campos abertos pode ser atingido diretamente por descargas atmosféricas. No entanto, as observações de inúmeras ocorrências inclusive em outros países, tem demonstrado que um maior número de mortes de animais se dá principalmente junto às cercas de arame farpado e próximo a árvores ou pequeno grupo de árvores isoladas. Nestes casos, os animais não são atingidos diretamente por raios, mas por seus efeitos secundários: choques nas cercas ou faíscas laterais nas árvores e principalmente pela grande diferença de tensão no solo, no local onde em última análise, se escoa a descarga que atinge as árvores ou cercas. Geralmente a resistência de aterramento nesses casos é muito alta, daí a grande diferença de potencial. No aterramento elétrico de um Pára-Raios, por exemplo, a resistência deve ser sempre inferior a 10 ohms, tornando o efeito de diferença de potencial no solo praticamente imperceptível. No campo, esse aterramento é sempre precário nas árvores e nos moirões das cercas, tornando esse efeito altamente perigoso.

  •      Cercas com moirões de madeira ou concreto: recomenda-se que de 50 em 50 metros para terreno seco ou de 100 em 100 metros para terreno úmido, seja introduzido um moirão ou mesmo um cano de ferro galvanizado, com bom contato elétrico com os arames. Esse moirão ou cano, deveria ser enterrado no mínimo, 1 metro no solo. Recomenda-se igualmente que de 300 em 300 metros, a continuidade elétrica da cerca seja interrompida. Essa interrupção de no mínimo 60cm pode ser efetuada com travessas de madeira ou outro material isolante. Como alternativa, pode-se intercalar um moirão de madeira, distante 30 cm de cada terminal das cercas. A distância mínima entre uma interrupção e o tubo de ferro galvanizado mais próximo deve ser de 8 metros.
    As recomendações acima (semelhantes às normas americana e inglesas), devem ser consideradas como alternativas mínimas e mais econômicas para proteção contra raios. Evidentemente, uma cerca totalmente metálica interrompida a intervalos regulares e/ou melhores condições de aterramento com eletrodos tipo "Copperweld" seriam desejáveis.

  • Árvores ou pequenos grupos de árvores isoladas: as reses costumam permanecer junto às árvores para aproveitar a sombra, sofrendo em caso de tempestade as consequências diretas ou secundárias das descargas elétricas atmosféricas. Algumas normas recomendam simplesmente o corte dessas árvores o que pode entrar em conflito com interesses de outra natureza. Dessa forma, recomenda-se também a proteção dessas árvores utilizando-se de cabo ou cordoalha de cobre, segura com presilhas ou grampos na própria árvore, até a parte mais alta. Deverá ser de tal modo instalada, que permita o balanço com o vento e prevendo-se também o crescimento das árvores, sem que haja dano para a cordoalha e para a árvore. Conforme o tipo da árvore, deverá conter também, ramificações da cordoalha ou derivações com fios de cobre de bitola 4 AWG nos galhos mais altos. A cordoalha, em baixo, deverá ser ligada a hastes tipo "Copperweld" (como alternativa pode-se usar canos de ferro galvanizado) cravadas no solo. Essas hastes, cuja quantidade seria aquela necessária para que fornecesse uma boa resistência de aterramento, (o ideal seria igual ou inferior a 10 ohms), deverá estar afastada das raízes pelo menos 3 metros. A cordoalha entre a árvore e as hastes deverá ser enterrada no mínimo 60cm. Para um grupo de árvores, esse procedimento deveria se repetido para as árvores mais altas. Outra alternativa, seria a de suspender entre as árvores mais altas uma cabo de cobre (catenária) que em última análise deveria ser ligada à terra da mesma maneira que no caso precedente, nas duas ou mais árvores em que estiver preso. Cuidados maiores com o balanceio das árvores, deveriam ser tomados nesse caso. Outra solução seria a de instalar nas proximidades, em uma torre ou mastro, um Pára-Raios de grande alcance.

As orientações acima, foram baseadas principalmente no código americano sobre descargas atmosféricas: NFPA nº 78, USA. Outras fontes de informação foram: A norma alemã "Blitzschutz" - ABB - VDE; os livros "The Lightning Book" - P.E. Viemeister, Doubleday; e "Lightning Protection", R.H. Golde, Edward Arnold.

Autor: Eng.º Azor Camargo Penteado Filho


PROTEÇÃO PARA APARELHOS ELETRO-ELETRÔNICOS

1) PÁRA-RAIOS DE LINHA DE BAIXA TENSÃO
2) PROTETOR DE SURTOS PARA QUADRO INTERNO
3) PROTEÇÃO INTEGRADA PARA KS, PABX E FAC-SIMILE
4) PROTEÇÃO INTEGRADA PARA MODEM, MICRO E LINHA LP
5) ATERRAMENTO HÍBRIDO PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
6) MALHA DE ATERRAMENTO